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A REFORMA POLÍTICA

(Versão 8/6/2011 14:41)

 

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Democracia vem do grego demos (= povo) + kratós (= autoridade). Nasceu na Grécia quinhentos anos antes de Cristo. Os cidadãos reuniam-se em praça pública para deliberar sobre os assuntos de interesse da comunidade. Mulheres, menores, escravos e estrangeiros não podiam votar e o voto não era obrigatório. Parece que funcionava a contento. Mas à medida que as populações cresciam, diminuía a frequência às reuniões. Surgiram pessoas dispostas a fazer – em troca de pagamento – o que a população não queria: tomar decisões. Estas pessoas foram chamadas tiranos.

O aumento de poder dos tiranos levou-os a organizar grupos armados (a polícia) que assegurassem a implantação de suas decisões, nem sempre voltadas para o bem-estar da população. Quando a polícia ficou grande o suficiente para desafiar outros tiranos, surgiu a figura do rei: além de ministrar a justiça, nomeava seu substituto, normalmente o filho mais velho.

A democracia representativa, apresentada por Montesquieu em 1748, foi adotada pelos EUA em 1776, pela França na última década do século XVIII e pelo Brasil em 1891.

Já os partidos políticos – definidos como "grupo organizado com o fim de possuir e exercer o Poder” – surgiram na Europa no século XIX. Embora cada partido pareça defender uma linha de pensamento e/ou de ação, ao conquistar o poder todos se rendem ao pragmatismo: o importante é assegurar o domínio do seu grupo pelo maior tempo possível. Não há como evitar isso, é da natureza deles…

 

INTRODUÇÃO

No Brasil a evolução da política partidária não tem sido muito edificante.

Generalizou-se a prática da compra e venda de votos, ostensiva ou disfarçada.

Observa-se que grande número de pessoas que respondem a processos judiciais conseguem filiar-se a partidos políticos e ocupar cargos eletivos no evidente intuito de beneficiar-se da imunidade parlamentar (também conhecida como impunidade pra lamentar).

Adotou-se como regra o logro político (candidatos prometem o que o eleitor quer ouvir; uma vez eleito, o político faz o que lhe convém).

O eleitor não tem livre escolha de candidato: só pode votar em quem jurou fidelidade à liderança de um partido.

Em recente decisão o STF definiu que o mandato pertence ao partido. Não ao parlamentar e, muito menos, aos eleitores que o elegeram. Isso aumenta o poder de coação dos dirigentes partidários – que não são escolhidos pela Sociedade – sobre o voto dos parlamentares.

Uma vez que o partido tem conseguido cada vez maior poder para infernizar a vida do governante, vende seu apoio por bom preço.

Por causa de rixas partidárias – eufemisticamente rotuladas de divergências ideológicas – os governantes (presidentes da república, governadores e prefeitos) recusam-se a cooperar entre si em benefício da população governada.

Pelo mesmo motivo, parlamentares criam situações de conflito que impedem a votação de matérias de interesse público (a chamada "obstrução").

Por causa do apetite pelo poder vemo-nos obrigados a mudar toda a equipe administrativa do país a cada quatro anos. Nenhuma empresa bem sucedida faz algo parecido.

Despudoradamente políticos argumentam que o alto custo das campanhas eleitorais os obrigam a pedir ou aceitar propinas. Fica a pergunta: por que alguém gastaria em campanha mais do que pode ganhar em um mandato?

As reformas políticas defendidas pelos grandes partidos tendem a concentrar ainda mais o poder do Legislativo nas mãos de duas ou três pessoas que dividiriam a autoridade com o Presidente da República.

 

PROPOSTA

Extinguir os partidos políticos.

Substituir Senado, Câmara dos Deputados, Câmara Distrital, Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores por Conselhos (um Federal, um para cada Estado, e um para cada Município).

O número de Conselheiros em cada esfera seria calculado por critérios estatísticos similares aos adotados em pesquisas de Opinião Pública, de modo a assegurar representatividade da amostra.

Os Conselheiros Municipais seriam livremente escolhidos pelos eleitores de cada município.

Cada município indicaria quais dos seus Conselheiros também participariam do Conselho Estadual.

Cada estado indicaria quais dos seus Conselheiros também participariam do Conselho Federal.

Os Conselheiros permaneceriam em seus domicílios eleitorais, em contato permanente com suas Bases Eleitorais, dispensando assim a cara estrutura de assessores parlamentares.

As votações ocorreriam pela Internet (ou outro meio julgado rápido e seguro).

 

SUGESTÕES

a) Os candidatos a Conselheiros deveriam ser aprovados em concurso público que verificasse sua capacidade de ler e interpretar textos.

b) Os conselheiros teriam remuneração proporcional ao número de votos válidos enviados. O valor deste pró-labore seria estabelecido diretamente pelo Povo (sufrágio universal). 

c) Os projetos de lei teriam origem no Poder Executivo ou na iniciativa popular (1% do respectivo eleitorado).

d) Conselheiros poderiam coordenar e/ou apadrinhar projetos populares.

e) Recebido um projeto, a Mesa Diretora publicaria Edital convocando as Partes Interessadas para o Debate. Este seria conduzido nas dependências usadas hoje pelo Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, e a participação direta de lobistas seria benvinda.

f) Os debates seriam transmitidos por sistema de TV interativa e ficariam disponíveis para os Conselheiros enquanto o tema estivesse em pauta.

g) Terminado o Debate de uma proposta:

1) A Comissão de Propaganda, financiada pelas Partes Interessadas, organizaria a Campanha Eleitoral (audiovisual).

2) A Comissão de Redação organizaria o texto (ou textos alternativos) a ser (em) votado (s).

3) A Comissão de Votação montaria a Cédula, uma espécie de prova com questões do tipo múltipla escolha ou resposta simples (um número, por exemplo).

4) A Mesa Diretora enviaria aos Conselheiros o Pacote Eleitoral (Textos, Campanha e Cédula) e marcaria a data e horário da votação.

5) Os Conselheiros teriam prazo para estudar o Pacote Eleitoral e discutir as opções com suas Bases Eleitorais.

6) No horário estipulado para votação os Conselheiros remeteriam as cédulas – previamente preenchidas – pela Internet (ou outro meio julgado rápido e seguro).

7) Um computador – na Casa do Povo – recepcionaria as cédulas, processaria as respostas, publicaria o veredicto e calcularia a remuneração dos Conselheiros.

8) O Texto Aprovado voltaria à Comissão de Redação para possíveis ajustes.

9) O Texto Final seria novamente votado (agora sem Campanha Eleitoral) apenas para permitir vetos (totais ou parciais).

 

BENEFÍCIOS DA REFORMA POLÍTICA

Redução de custos com viagens, moradia, combustível, assessoria.

Conselho disponível para deliberação 365 dias por ano.

Decisões mais afinadas com o interesse da Sociedade.

Dificultar os "acordos de lideranças".

Impedir as votações simbólicas e secretas.

Encerrar as discussões sobre financiamento público de campanhas eleitorais.

Acabar com as disputas internas pela posse de cadeiras no parlamento.

Acabar com a discussão interminável sobre fidelidade partidária.

Uma vez que o Poder individual de cada Conselheiro fica diminuído pela distância da Capital, reduz-se a extensão do tráfico de influência.

Os Conselhos não seriam  valhacouto de bandidos.

Reduzir-se-ia a influência perniciosa dos escândalos públicos na formação da juventude.

A atividade dos lobistas seria transparente, uma vez que a eles caberia advogar publicamente os interesses das Partes.

 

TEMAS PARA REFLEXÃO

A cada votação poderiam surgir diferentes “partidos” representantes das diversas correntes de opinião e interesses regionais. Dependendo do tema, um Conselheiro poderia pertencer a diversos “partidos” – cuja vida seria efêmera.